“ Somos vítimas de nossas próprias agonias.
“ Eu disfarço muito e quase ninguém percebe.
“ Eu, por exemplo, gosto do cheiro dos livros. Gosto de interromper a leitura num trecho especialmente bonito e encostá-lo contra o peito, fechado, enquanto penso no que foi lido. Depois reabro e continuo a viagem. Gosto do barulho das paginas sendo folheadas. Gosto das marcas de velhice que o livro vai ganhando: a lombada descascando, o volume ficando meio ondulado com o manuseio. Tem gente que diz que uma casa sem cortinas é uma casa nua. Eu penso o mesmo de uma casa sem livros.
“ Confesso que não lido bem com despedidas. Mas se quer sair da minha vida, por favor, me avise. Me ligue e grite comigo, mande uma SMS me xingando, ou quem sabe um recadinho em minhas redes sociais? Existem emails e cartas também, fique ao seu critério. Mas por favor, avise de um jeito ou de outro. Porque pior que o seu “Adeus”, é você ir embora da minha vida sem dizer absolutamente nada. Machuca, maltrata, destrói. Se vou sofrer? Vou sofrer sim. Todo mundo sofre com despedidas, todo mundo chora, todo mundo se acaba, todo mundo morre um pouco, não é mesmo? Então faça o favor de se despedir de mim logo para eu desaparecer de vez. Me mande embora, diz que não me ama mais, pede para eu sumir… FAÇA ALGUMA COISA IMBECIL! Mas não me lança esse seu olhar triste, vindo de um sussurro de que ainda me ama não, porque você sabe que eu não resisto e voltou dizendo que já estava morrendo de saudade.